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Inclusão Digital - Porta de Acesso ao Futuro

Fransico Moreira de Meneses

* Esta matéria encontra-se originalmente publicana no site Alice Ramos.com

 

  A inclusão digital há cinco anos, só existia nos Dicionários; hoje é uma realidade que a cada dia se aproxima mais das camadas sociais mais carentes. Todavia é necessário que os programas governamentais, sobretudo os destinados às classes menos favorecidas, tais como: bolsa família, agricultura familiar e os de distribuição de bolsas para o ensino superior, incluam também a “Inclusão Digital” como um Serviço Social importante para a sociedade de baixa renda.

Hoje, todo e qualquer cidadão deve ter direito ao acesso à informação, e, esse acesso só será possível quando toda população tiver acesso a um computador conectado à Internet em banda larga (em alta velocidade) como um serviço público posto à sua disposição, assim como água, esgoto, segurança pública, e ensino fundamental.

Não podemos conceber que o jovem nos dias atuais, cursando o ensino fundamental, não tenha acesso a um computador e à Internet. Isso deve ser um objetivo governamental a ser perseguido, como educação, saúde, emprego e renda.  Sei que isso ainda é uma utopia, mais em sendo uma utopia, no Brasil, imaginemos então o que será, em Países cujo desenvolvimento econômico e social seja inferior ao do nosso.

Hoje, gastam-se fortunas em programas governamentais que pouco ou quase nada agregam valor à qualidade de vida de populações de baixa renda. Investem-se fortunas em modernização das telecomunicações, de aeroportos; desoneram-se os tributos da indústria automobilística, para os chamados “carros populares”. Isso é quase uma piada de mau gosto, visto que no Brasil não existe carro popular, uma vez que o que conhecemos com essa denominação, custa em média 50 salários mínimos.

Não vemos, por exemplo, o governo desonerando os investimentos feitos na fabricação de computadores populares - desonerou-se sim, timidamente, os tributos na comercialização.

Vamos desonerar os tributos para a implantação de Redes de Telecomunicações, destinadas à transmissão de sinais de Internet para populações de baixa renda. Aqui, cabe uma pergunta: Onde anda do projeto do SGB – Satélite Geoestacionário Brasileiro? Qual é o status do mesmo? Alguém sabe dizer a quantas anda esse importante projeto?

Há muito se luta para acabar com a cobrança da famigerada assinatura básica da telefonia fixa, e, continuamos sem ver a luz no fim do túnel, e ao que tudo indica, é assim que vamos ficar, sabe Deus até quando.

Os custos com a conexão de Internet em Banda Larga é totalmente proibitivo para a população de baixa renda.  As alternativas são muito tímidas e não satisfazem à população, seja a carente, ou não.

Na realidade o que o governo necessita fazer urgentemente, é pensar em gente de uma forma humana; as pessoas não necessitam de esmolas, e nem conseguem ter uma vida digna, apenas com as doações do governo. O povo necessita sim,  de dignidade, e dignidade é receber não apenas o pão, mas sim, receber tratamento igual e universalizado. Não podemos tratar as pessoas como se elas fossem coisas.

Vejo com bons olhos o programa Bolsa Família, todavia para cada família beneficiada pelo Programa, ela deveria estar inscrita também, em outro programa para libertá-la dessa dependência, por meio de programas de criação de emprego e renda; de formação profissional para a juventude, que hoje termina o ensino médio, e nada sabe fazer.

Os programas de assistência social do governo do Presidente Lula são importantes, mais são: Programas de Governo. Isso significa dizer, que ao final de seu governo eles podem deixar de existir, e aí perguntamos: o que irão fazer essas famílias que dependem hoje do bolsa família, por exemplo? E não são, só, as famílias que dependem desse benefício; hoje os pequenos municípios, que são a maioria dos 5,6 mil, movimentam suas economias com base na renda desse programa assistencial.

É o momento de investir em cidadania, e, isso significa investir em desenvolvimento econômico e social, implantando redes de capacitação de mão-de-obra de jovens e adultos, mas tudo isso estruturado em bases científicas; partindo-se de pesquisas de demanda local e regional. Temos que olhar os chamados “Arranjos Produtivos” é necessário também, que se pense em desenvolver o Brasil partindo-se do interior para os grandes centros.

Se investigarmos a faixa de desemprego no Brasil, vamos descobrir que cerca de 40% dos desempregados são de jovens que terminaram o ensino médio, e nunca tiveram uma experiência profissional, exigência, no entanto, que os possíveis empregadores, fazem, e, portanto são partes da camada da população dos analfabetos profissionais.

Se não pensarmos no desenvolvimento humano não há como desenvolver o Brasil, e nem a promoção do crescimento econômico dos pequenos municípios. É necessário que o governo entenda urgentemente, que só se desenvolve uma Nação desenvolvendo o seu povo.

Os programas de “Inclusão Digital” que levem redes locais de Internet em Banda Larga ao interior do Brasil é na verdade, a base tecnológica para a promoção do desenvolvimento social. 

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Francisco Moreira de Meneses  (francisco.meneses@mec.gov.br) é Diretor Geral da Escola Técnica Federal de Brasília, ex-Chefe de Gabinete da Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, possui formação em Administração e pós-graduação em:
- Elaboração e Avaliação de Projetos Educacionais pela OEA e UnB,
- Análise e Projetos de Sistemas pelo Grupo de Fomento à Informática - GFI,
- Estudos de Políticas e Estratégias pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra em parceria com a UnB e
- Contabilidade Pública pela Fundação Getúlio Vargas.

 

Joseh Sáfilo Gomes Silva             

Ciências da Computação

Especialista em Ferramentas da Tecnologia da Informação

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